sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ESPONTANEO : valentinorossi

Existe uma palavra que exprime ou tenta expressar uma ação que se origina no caráter, uma ação que permite ao ser se espaiar na energia e existir. Esse vocábulo tradutor de uma ação única, individual, característica ( e não apenas personalística, pois o personagem é um títere dos cordões sociais-teatrais); esta palavra para um ato é genuíno é : "espontâneo". Derivação : espontaneidade.As derivações mostram para onde a palavra aponto, o modo como é enfocado o ato, a ação.
É uma tarefa árdua, hercúlea (são doze trabalhos!) dizer da palavra e do ato por ela expressa e da inteligência e leitura e escritura que a ação juntando com o pensamento fez para chegar a comunicar algo corriqueiro ou insólito. Essa conjunção do pensamento e a ação, a ação de ambos, que é sempre uma conjunção entre ser e existência, é o que faz o pensamento (ser, ação sem existência ou ação em projeto de exitência ou ação pré-existente ) saltar ao real (ação na existência).Do ser ao existir vai um salto : o salto da energia que sustenta a idéia até a matéria que leva essa idéa a deixar de ser idéia e se tornar coisa real fora do pensamento. O que existe está lá fora como qualquer coisa, pessoa, animal. O que é ( o ser) está apenas dentro da mente, como forma, idéia (Platão descobriu bem a idéia, eidos, forma).Uma cadeira riscada a lápis é o desenho da idéia de cadeira, mas não a idéia de cadeira que nem do desenho precisa para ser idéia.
O que existe está lá fora no mundo e pode ser captado pelos meus sentidos, diferentemente do ser que está dentro do meu pensamento, é o meu pensamento e, portanto, está dentro de mim, não existe, ou seja, não está lá fora, no mundo, como coisa ou fato ou ato, mas apenas no meu pensamento, uma ação que não desceu ao mundo, uma idéia que não pisou na terra (o prefixo "ex" traz o sentido de estar fora : ex-presidente, ex-esposa... aqui no sentido de não ser mais, não estar mais dentro, mas estar fora, no sentido temporal ).
Os pensadores gregos, principalmente " o filósofo" (Aristóteles, com quem a filosofia começou e acabou em perfeição; depois abundaram os discursos escol´sticos e filosofantes de todas as épocas) abordavam a questão da essência (ser) e existência ( ente, fenômeno ) no sentido de ligações, relações entre o pensamento e o mundo, mediada pelos sentidos e pelas coisas "copiadas", captadas pelos sentidos e conceituadas (nomeadas, desenhadas com palavras ou nas formas geométricas, que correspondem a "língua" dos nomes) pelo pensamento, pela razão.
Um exemplo prosaico : a cachorrinha lé de casa existe, ela me lambe, corre, late...ela está lá fora, fora do meu cérebro, não é uma imagem ou idéia (forma) esboçada dentro do cérebro pela ação da memória, imaginação, etc.; ela, a cadelinha lá de casa, está no mundo, não é apenas um ser lido no meu pensamento, mas um ser no mundo captado pelos meus sentidos : um ser no mundo existe, está envolvido pela matéria e energia que compõem seu corpo : é uma coisa livre do meu pensamento, ao contrário do ser preso no meu pensamento. Esse ser do meu pensamento, que não está fora dele, é apenas algo abstrato, um ser só de pensamento : é o próprio pensamento na forma imaginária de um ser existente ("ex" lá fora, no mundo, exotérico ).O pensar é isotérico, não vai ao mundo, senão pelas pernas de pau das palavras ( e palavras dizem e não dizem, pois em palavras se lê ou se omite leituras, que perpassam a experiência de cada individuo : sua leitura escreve sua vivência, sua bíblia intimista, seu Eclesiastes personalíssimo, seu "Livro de Jó": cada um tem os seus "biblos" os seus "rolos" escritos).
Voltando à cachorrinha "fria" após a digressão (ai! quantas digressões pululam meu pensamento! ; digressões machadianas), minha cachorrinha existe,´posso relacionar com ela no mundo; já Deus, o grande, não existe, pois não está lá fora no mundo, não foi jamais captado pelos meus sentidos (nem pelo sexto!), nem pelo de ninguém vivo; logo, é um ser (está no pensamento, tem lá um lugar no pensamento, mas é um ser só de pensamento, é apenas um pensamento ou o pensamento mesmo, mas não existe, não está no mundo, exceto se se considerar o panteísmo que póe Deus e mundo, deus e natureza como um só ser, uma unidade : o "Hen Panta " ( o uno, o ser, o todo) de Parmênides de Eléia. Esse uno é a unidade na tensão que medeia (?) o ser e o ente (sendo o ente ou "on tos" (ontos, onto) em grego, on (ser) e to (manisfestação) : o ente é o ser (on) manifesto (to, ontos), ou seja, o ser (pensamento, idéia, forma) em seu conteúdo mundano (ontos, ente, existente).Acho que era isso que o gregos diziam em suas palavras, bem longe de compreender a cultura deles ou a cultura que eles transmitem na língua, que os historiógrafos fingem bem conhcer, como se estivessem lá, naquale tempo, existentes e não apenas em ser (pensamento, sem corpo ; existência).mas os historiógrafos e outros da fauna não precisam disso, mesmo porque não sabem a diferença entre ser (pensar) e existência ( ser, estar no mundo, alienado, fora do pensamento); aliás, mal sabem de sua ignorância profícua para ganhar títulos e dinheiro : "fora de si", fora de ser, "fora de série", poderia zombar o demônio de Roterdan em seu "O Elogio da Loucura").
Entre ser e existir há uma enorme tensão que pode ser exaurida de várias formas, conforme a mente ( o conjunto de símbolos no cérebro e sinapses que a cultura plantou e o indivíduo absorveu aceitando ou rejeitando, conforme a pancada ou a carícia; sendo que carícia e pancada mudam consoante o que sente cada indivíduo; por isso a cultura tende a desindividualizar na escola e outros campos de concentração e asilo afins : igrejas, empresas, instituições, enfim, que estruturam o calabouço e o "cala-a-boca!!!" social. E ainda citam como monstro apenas o abominável Hither!!!). As formas que estão entre o ser e o existir ( o espaço, o "meio", que separa o ser do existir ) podem ser as inúmeras alienações a dispor no mercado social : a esquizofrenia, o celibato, a vocação sacerdotal, a profissão, o alcoolismo, os esportes, a arte, etc.). Na natureza (a "physis" de Aristóteles), essa tensão se resolve na união da matéria e energia (equação de Einstein) que são lidas pelo indivíduo enquanto leitor (pelos sentidos da visão, olfato, tato...) do ser no mundo ( o existente ) captado pelas câmaras da tecnologia da natureza acopladas no seu corpo e no do outro ser do mundo, numa ligação parabólica das curvas do espaço-tempo, e o ser que lê o ser existente, que é o ser abstrato, fromado por figuras geométricas, parábolas cartesianas e equações, que é o cérebro humano equipado com toda a tecnologia da cultura : a língua, as linguaguens, as doutrinas, a arte, a ciência, a filosofia, enfim, tudo o que forma o pensamento prisioneiro, mas que no homem livre se trasnforma na alegoria dos animais de Nietszche, na qual se diz que o camelo é o animal de carga ( e representa o anão que vê longe nos ombros dos gigantes, que são os gênios e os sábios); todavia, para se tornar um homem livre (que é o sábio e o gênio) é mister que se livre do camelo ( o animal de carga) e se trnsmute em leão, o segundo animal; o leão aqui simboliza a coragem, o enfrentamento com o mundo e seus dogmas e imposições a que o homem comum cai de joelhos, mas o herói do saber despreza e cospe pra, assim, escarninho, passar à última fase do homem livre, que é a fase da criança, que simboliza a liberdade e a criação, recomeçar a rodar a roda viva da vida, para ser bem tautológico e lógico ao expressar tal pensamento.
Os covardes sempre serão anões.
Voltando de uma longa digressão, a palavra espontâneo traz es(ex) po(por) t(te) e neo(novo). Espontâneo é tudo o que somos quando somos integralmente sem as imposições de regras alheias, sejam elas do sacrossanto Direito ou das normas cultas e outras normas que amarram.
Sou espontãeneo quando escrevo este texto para você possa ler e me ler e compreender como um corpo que se veste com este texto, uma veste talar, porém para quem o lê e me lê é uma veste que não resiste ao olhar do super-homem com sua visão de raio X ou de um homem ou mulher que saiba tanto da minha gramática do dizer e do negar ( o meu jogo de "gato-e-rato" que pratico comigo e com os demais) que este texto como veste talar apenas revela minha nudez, mesmo porque não uso cuecas nem preciso de sutiã ou roupas de baixo.
Sem embargo, quando escrevo para um público abstrato, inexistente, meu texto se torna inócuo, sem ter a quem se dirigir, pois atira num alvo invisível e perde toda a espontaneidade, porque aí há regras de encomenda. É como o artista a quem se encomenda uma obra e junto à encomenda vem o gosto do solicitante, sob a forma de exigências : vêm as regras, o gosto do solicitante, daquele que paga por um trabalho, vem o querer dele, a exig~encia da obra conforme o gosto e entendimento do solicitante; então não sái obra nenhuma, ois não há espontaneidade e onde o artista não é espontâneo não há arte, mas apenas um macaco performático como a maioria que cisma ser artista e pinta alguns dejetos oo que, quando cônscios de suas limitações, fazem artesanato (lembrei-me daqueles que pintam com os pés e a boca!!!).
A escola é o melhor exemplo de como se consegue criar o hábito de não ser espontâneo; ali se ensina primeiro a obedecer, depois a voltar a obedecer e sempre a a obedecer às regras da gramática, depois as leis, depois aos mandamentos da religião...sempre a obedecer!!! Então o que poderia formar um cientista forma um ser obediente e, ao invés de ciência, o que temos de sobra é obediência, porque ciência (conhecimento, descoberta de conhecimento, saber) é desobediência.A escola, portanto, cria o hábito (e com o hábito se veste o monge!!! e toda a sociedade!!! Já imaginou se não fossem as roupas!!! O que seriam das mulheres, dos padres com seus vestuários, do Papa, dos advogados, dos juízes de cabeleira, das mulheres velhas!!!...porque o sexo é feio, em geral; vide chimpanzés e índias... Oh! roupa, tende piedade de nós nus!!!, oria por nós, pecadores...imagine o padre dizendo isso sem batina!!!!...)
O ato espontâneo traduz o pensamento (até trai o pensamento!), pois é sua ação no mundo, exposta(po, por, posta), posta, colocada, sua tese no mundo, o fincar das lindes do seu território mental onde ninguém pode entrar sem permissão, embora amiaoria já perdeu estes limeites para o direito, a religião ou qualquer outra doutrina que alienou (comprou) os limites de seu território mental até o último alqueire de pensamento ( e de terra "pensante").
O "t" de terra ou tese (terra abstrata, território abstrato, território de filósofo ou cientista ou teólogo), na palavra espontaneidade, no vernáculo, esta no "t" de espontâneo; e no neo o novo; ou seja, espontâneo é uma ação própria, única, nova, emergindo de seu ser, do seu pensamento que toma a forma de um ser, ou do ser em geral, que, não obstante a aprente diversidade, quando é coerente, uno, tem como condutor uma única idéia, que é a idéia fundamental (que funda , o alicerçe) do ser que a exprime, não se perde no labirinto nem é devorado pelo minotauro, pois a coerência é o fio de Ariadne que conduz o senhor de uma idéia, o dono de uma tese, o senhor do território abstrato da sua idéia original e originária, preservada malgrado os esforços das instituições, como a escola, de alienar (compar, envolver a idéia na tecitura de um fio de loucura de ouro dos asnos de ouro que sabem tudo de cor o que aprenderam como burros velhos com os outros anteriores asnos de ouro, mas que nada sabem do mundo nem a um palmo do seu nariz, nem descobriram os próprios sentidos e sentimentos, quer dizer, estou a falar da mairoria louca, que é assim tão insignificante, como já o descreveu o Lúcifer da Samotrácia, também Apuleyo e o Diabo de Roterdan, que copiou a ambos, ao grego e ao romano satíricos (algum estúpido pode me dizer se Roterdan, a cidade de Erasmo, é com "n" ou "m", pois esta questão vai resolver os problemas do mundo num átimo).
A espontaneidade é o apanágio dos sábios, dos gênios, dos artistas; está expressa nas obras de Modigliani, Picasso, Chagall, Mozart, Monet, Chopin, Dante, Shakespeare, Shopenhauer...: aprendemos a ser o que não somos, originariamente, na escola, a não ser espontãneos, a não ser o que somos, a relegar nosso ser e a tomar por certo o ser dos outros, ler e respirar pelo nariz dos outros, principalmente dos mortos, que acima citei em obras vivas. E à proporção que abandonamos o nosso ser para crer no ser dos outros, deixamos de ser, passamos a ser o não-ser, a representar, ser atores do drama social e não mais ser humano real, mas um ser alienado, alheio, vendido ao que ganhamos no emprego como salários ou cargos,etc. , um ser no asilo que são todas as instituições para velhinhos, crianças retardadas, moçinhos(a) e gente maduta (e podre!!!).
Quando deixamos o ser, deixamos de ser, aquela idéia única que constrói o seu ser, que é a fundação e o telhado e as paredes do ser, essa idéia desaparece junto com a morte do ser ; então aparece o "asno de ouro" ( pode ser o "bezerro de ouro', se a versão for judaica); o asno de ouro sabe de tudo, tem muitas idéias, pois todas as idéias do asno de ouro são de outros homens, alguns sábios, outros, na maioria, tolos, asnos de ouro à sua imagem e semelhança, que proprocionam ao asno de ouro ter sua postura ao andar (ele deixa de ser um quadrúpede ao andar socialmente, ao beber socialmente, ao fazer palestras, dar aulas, escrever livros...).Todavia, como o asno de ouro não tem qualquer idéia, ele fala do que não sabe, do que não vive nem viveu, mas de coisas de outros, alheios, distantes em países, línguas e culturas e mesmo no tempo. O asno de ouro, com seu bordão de pastor, fala dos tempos b´blicos como se estivesse lá, ou como se estivera : eles são capazes de falar de sexo, dar aulas sobre sexualidade sem nunca terem conhecido sexualmente nenhuma mulher!!! Sem jamais terem tido nenhuma relação sexual nem mesmo com uma meretriz!!! Essa turma é mesmo de ouro!!!!

Nenhum comentário: